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sexta-feira, 17 de abril de 2026

A navalha


 

        A navalha não tem humor, não importa o que se pense a respeito de quem a esteja usando. Normalmente quem precisa equilibrar-se todos os dias em seu fio vai pegando o jeito, ficando um pouco mais experiente, recebendo menos cortes, não fatais, embora não escapem das dores nem das cicatrizes.

        O povo do século que definha passado um quarto de seu tempo, não parece exercitar a percepção, deixem-se levar pelo vazio existencial, não sorriem com propósito, não sofrem com o romantismo, simplesmente vagueiam, inúteis, manipulados e soterrados no meio de escombros sombrios, os quais deterioram o seu viver absolutamente.

A paz é frágil e a resiliência se afasta. O que é triste e ruim cobra o seu preço diariamente; o fogo se alastra pelos edifícios, os gritos das pessoas desesperadas se confundem com os berros das vítimas desavisadas, tudo é terror na terra dos exilados, no planeta que expurga os seus visitantes indesejados através da destruição completa.

A natureza é eterna e recicla a si mesma. Os visitantes temporários não perceberam que serão exterminados pela própria incapacidade de viver em comunhão com o sagrado. O extermínio é tudo o que conhecerão. É tudo o que viverão. Serão os últimos momentos do caos.


 

                    Marcelo Gomes Melo 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ela e as flores


 

Falar sobre ela é falar sobre a textura das flores

O perfume que exalam, e os espinhos que a protegem

Pensar nela é sentir o aroma e usar todos os sentidos

Para trazê-la para perto

Cultivá-la com luz solar, ar, mar e amar

Ela é solo fértil para os devaneios mais insanos

Os sabores mais distintos, sopro de vida em um

Coração cansado

Falar sobre ela é possuí-la por todo o tempo

Em um mundo inquieto e perigoso

Ela é um jardim


              Marcelo Gomes Melo

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Café amargo e quente


 

Não estou feliz.

Sou café amargo e quente

Não me importo de tocar

O coração de toda a gente

É fácil estar, o difícil é ser

O que conta nessa vida são as flores

Os doces, não os temores

Risca de giz, óculos escuros

Sapatos de couro, solidão

Para onde eu olho só há muros

Logo amanhece a existência de alguém

Crescem rumores de amores além

Se vê e se lê reminiscências do adormecer

Não pretendo me despedir

Não posso me dizer adeus

A vida é meio linda, acasos aqui ainda vivem

Prestes a anoitecer

Não estou feliz

Estar é mais fácil, ser é estável

Instável permanecerei

Enquanto os dados rolam tudo pode mudar

 

Café brûlant

Je ne suis pas heureux.

Je suis amer, café brûlant

Je n'ai rien contre le fait de toucher

Le cœur de chacun Il est facile d'être, le plus difficile est d'exister

 Ce qui compte dans cette vie, ce sont les fleurs Les douceurs, pas les peurs

 Chemise à rayures, lunettes de soleil

Chaussures en cuir, solitude Partout où je regarde, il n'y a que des murs Bientôt, l'existence de quelqu'un se révèle

Des rumeurs d'amour éternel se répandent

 On voit et on lit des souvenirs de l'endormissement

Je n'ai pas l'intention de dire au revoir

Je ne peux pas me dire au revoir

La vie est belle par moments, les rencontres fortuites existent encore

À la tombée de la nuit Je ne suis pas heureux

Être est plus facile, exister est stable Instable, je le resterai

Tandis que les dés roulent, tout peut changer


 

                    Marcelo Gomes Melo 

A navalha

            A navalha não tem humor, não importa o que se pense a respeito de quem a esteja usando. Normalmente quem precisa equilibrar-se...