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segunda-feira, 17 de julho de 2023

Asco pelos seres supostamente racionais


 

         Asco pelos seres supostamente racionais


Sabe há quanto tempo eu não ouço um “Te amo”?

Esse é um mundo triste, lotado de pessoas entristecidas, solitárias e reféns dos próprios pensamentos impróprios, completamente exaurido, sem capacidade intelectual, vítimas de dogmas instituídos por líderes fracos e funcionalmente analfabetos, cujas ações destroem ainda mais um ambiente que involui visivelmente, letalmente.

A vida é irrisória, o planeta parece querer expurgar as maldades desses seres ignorantes que perderam todos os valores, e defendem atitudes sem nenhum nexo, prejudicando a todos, sem distinção. Os que estão aparentemente se locupletando dos novos ideais são frívolos, distribuem a sua inutilidade nociva com um orgulho patético, de olhos esgazeados, vazios e fanáticos.

Viver nesses tempos é doloroso aos que já experimentaram gerações mais eficazes, com regras mais realistas e justas, com a possibilidade de corrigir com dureza os desvios de conduta, embora sem a perfeição improvável e impossível que hoje é aclamada.

Mundo enganoso, viciado e trôpego, multidões transitando com um vislumbre de horror no fundo de seus olhares apagados, sorrisos automáticos que denotam ausência de felicidade. Não há paixões, porque foram substituídas pelo fanatismo glorioso e maldito sem remédio. Sabe há quanto tempo você não ouve um “Te amo”? E se ouviu, tem a plena certeza de que foi dito com o fervor necessário, pode afirmar que realmente continha significado? Quantas vezes você se lembra de ter dito em voz alta e firme, com veracidade completa, sentindo totalmente o que disse a alguém especial? Aliás, você sabe o que é especial? Há algo que considere especial? Tem a plena certeza disso?


 

                            Marcelo Gomes Melo

 

terça-feira, 11 de julho de 2023

O que é ou não permitido


 

       O que é ou não permitido

 

Palavras de amor nunca expressadas

Escorrem dos meus olhos como lágrimas

Adocicadas pelo sangue imortal que tatuam

As paredes seculares.

 

O tremor dos candelabros demonstra

O tamanho da ira do deus que pretende demolir

Os castelos intransponíveis os quais protegiam

Os reis, as belezas e as riquezas que os convenciam

 

A seguir um caminho sem volta, acreditando poder

Encostar por segundos em uma dádiva secreta:

Amar por si só, o que nunca foi, é ou será permitido.

 

O bônus em espécie não é notado, o ônus é exaltado

E determinado pelo tamanho da exaltação e de quem

O exalta. Os fins... Os meios... É a vida, enfim.


 

                                    Marcelo Gomes Melo

sábado, 1 de julho de 2023

Cenas da vida no Planeta Terra em um futuro distante


 

  Cenas da vida no Planeta Terra em um futuro distante

 

          Pacatos cidadãos da civilização pós-nuclear do nosso altaneiro país, venho hoje aqui, despido de orgulho e repleto de humildade ante a vossa valorosa e digníssima presença, atrapalhar a vossa importante concentração matinal a caminho de seus trabalhos honestos que lhes garante a sobrevivência tranquila acima da linha da pobreza atual, o que lhes coloca hierarquicamente em posição dominante sobre a casta dos miseráveis excluídos sem razão de viver, à qual me incluo.

        Irmãos da bondade infinita, é confiando nessa característica especial inerente às vossas pessoas que me coloco aqui, nesse aerotrem especial, em pé em frente às vossas pacíficas e inteligentes faces, sem vestimenta especial e muito menos aparelho para reposição de oxigênio reserva, para o caso de alguma falha no casco da nave colidindo com algum meteorito nessa viagem matinal à lua, local em que vocês, com tanta capacidade realizam seus portentosos trabalhos, de importância vital para a colonização do satélite, possibilitando que mais planetas sejam descobertos, colonizados e mais moradias para os mal aventurados como eu.

        Caros terráqueos de família milenar como a minha, mas que conseguiram adequar vossas capacidades às novas necessidades com destreza e merecimento nesse século XXXVI, pós Era dos pastores dignitários presidentes, ao contrário de mim, pobre coitado de casta inferior a quem a sorte não bafejou e hoje apela para vossos corações de titânio de última geração, que lhes proporciona viver bem mais e melhor, por bombear pelos seus corpos saudáveis sangue e micro-organismos de regeneração constante das células, que me ouçam por mais alguns macro segundos lunares, o que nessa órbita equivale a uns sete minutos na contagem antiga de tempo.

        Senhoras e senhores da diretoria plasmática sensorial, pretendo afirmar aqui, tocando com a palma da mão direita no aparelho detector de mentiras espacial instalado em cada um desses trens espaciais por nosso amado governo, entendido na arte de mentir e na de detectar a mentira alheia, que sou honesto, trabalhador, pai amoroso e marido colaborador; caridoso e fanático doador de Poá percentagem do que cosigo amealhar como prova de fé e camaradagem.

        Eu sou engenheiro de formação. Desempregado ainda antes da Quarta Guerra Mundial, após curtir o seguro desemprego do nosso amado governo tentei formar minha microempresa de carrinhos de cachorro quente, mas fali quando o governo proibiu o uso de proteína animal e derivados, bem como o glúten; além disso, os carrinhos não podiam atrapalhar a circulação pela calçada dos três trilhões de habitantes da Terra à época. Entendi, e falido, durante a guerra fui motorista de ambulância no front, carregando soldados vitimados pelos gases venenosos inimigos, usando apenas luvas de boxe e uma máscara de gaze. Eis a razão pela qual tenho uma perna paralisada, perdi o olho e minha voz soa ligeiramente metálica, graças ao dispositivo que recebi do INSS para instalar na garganta e recuperar parcialmente as cordas vocais.

        Pois bem, irmãos amigos, nada disso me parou, e hoje estou aqui dignamente lhes pedindo uma valiosa colaboração e ajuda para sustentar minha família, adquirindo essas balas e chicletes de legumes frescos, sem açúcar ou sal, maléficos à saúde, contendo o elemento magma 12, retirado dos vulcões do planeta Vênus e que ajudam a polir os dentes de ossos de brontossauros jovens inquebráveis da lua de Saturno que todos vocês usam e que os fazem tão belos! Tenho também chocolate azul sem cacau ou aditivos que prejudiquem a visão, com flocos de jiló puro. Aceito cartão de crédito e dinheiro vivo. Tenho gaiolas para manter o dinheiro vivo confortável em meu bolso, não se preocupem.

        Quem puder me ajudar, Deus abençoe; quem não puder, abençoe da mesma forma. Saibam que lhes desejo em dobro tudo o que tão gentilmente me desejarem. Logo, logo serei ejetado para o próximo meteoro terminal de trens, então me despeço emocionado com a vossa contribuição. Fui!

 

                             Marcelo Gomes Melo

Ode à destruição

  É verdade que eu quero matar. Matar os covardes mentirosos que caminham sob o sol distribuindo sorrisos falsos, enganando sem culpa ...